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E que critérios são esses? O que pode e deve ser analisado antes de decidir se uma criança passa de ano ou não? Quando falamos de inclusão, nota e rendimento não bastam, é necessário que outros parâmetros entrem em questão (análise esta que deveria ser comum para todas as crianças). -
na aprendizagem: a criança aprendeu alguma coisa? A resposta
a esta pergunta tem várias implicações, sendo a mais
simples, caso o aluno tenha evoluído pouco ou quase nada durante
o ano letivo, a reprovação sumária. Porém,
chegar ao final do ano com um aluno que não aprendeu nada e atribuir
apenas a ele e a sua síndrome essa responsabilidade, incorre no
risco de repetir erros, perpetuar atitudes de exclusão, pois muitas
vezes é a abordagem da escola que não surte efeitos positivos
sobre a criança. Inclusão e aprendizagem significam que
a criança está presente, está participando e está
adquirindo conteúdos. Todas as crianças merecem ser avaliadas levando-se em conta suas características pessoais de tempo e estilo de aprendizagem, seus conhecimentos prévios e necessidades especiais e, partindo disso, merecem o estabelecimento de um programa que respeite estes aspectos. Se o programa traçado para aquela criança não surte o efeito desejado e esperado, o problema está no programa, e não na criança. A escola precisa constantemente se reavaliar, se reorganizar e redefinir objetivos e estratégias, oferecer alternativas de expressão, buscando interesse e motivação para a aprendizagem, tanto de todos os aluno quanto da professora. E caso ela tenha aprendido um pouco? Não aprendeu o mesmo que os colegas, mas aprendeu? É nesse momento que outros critérios devem ser analisados.
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o relacionamento com os colegas: Ambientes heterogêneos
fazem crescer. Uma das grandes forças da inclusão é
oportunizar a todas as crianças a convivência com as diferenças,
aprendendo a respeitar as dificuldades e ritmos de aprendizagem de colegas
com vários níveis de funcionamento. Este processo também
é aprendizagem, também demanda adaptações,
exige que a professora desenvolva este respeito no grupo, que valorize
a diversidade e a ajuda mútua, identificando e superando obstáculos
que possam surgir. Com o passar do tempo, a turma da criança com
SD a conhece bem, sabe como ajudá-la, quando motivá-la a
fazer sozinha, entende seu modo de se comunicar. Ou não. - nível de autonomia: tão importante quanto o desenvolvimento cognitivo, é a capacidade da criança de ser autônoma, de ser independente nas atividades de vida diária e de cuidar de suas coisas, aspectos que devem ser trabalhados e valorizados em casa e na escola. O nível de autonomia deve ser suficiente para que a criança não seja dependente de seus colegas e professora nos aspectos básicos do dia-a-dia. - linguagem: a criança com NEEs pode não entender tudo o que lhe é dito, e pode não se expressar muito bem. O importante é que compreenda as emissões feitas de forma adequada para ela, e que se faça entender, mesmo que não através da fala. O modo como a criança está se comunicando é fator a ser considerado na decisão final, levando sempre em conta que a convivência da criança com SD com outras crianças sem dificuldades comunicativas faz com que se beneficiem com a experiência com padrões de fala mais evoluídos, e não mais atrasados do que os delas. - idade dos colegas: como bem se sabe a criança com SD pode apresentar atraso no seu desenvolvimento cognitivo e lingüístico. Porém, seu desenvolvimento físico, fisiológico e social são coerentes com sua idade cronológica. Grandes diferenças de idades e tamanhos entre as crianças podem comprometer os relacionamentos, e os focos de interesse demasiadamente divergentes podem dificultar a formação de vínculos e compatibilidades. - comportamento da criança: distúrbios da conduta, comportamentos evitativos como fugas da sala de aula, agressividade, incomodar os colegas ou negar-se a fazer atividades, são sinais bastante claros de que algo não vai bem. Muitas vezes, comportamentos inadequados podem ser a forma mais eficiente de comunicação e inter-relação que a criança consegue estabelecer. É importante que se avalie onde está a causa destes comportamentos: na dificuldade em relação à aprendizagem, no relacionamento com os colegas, nas tarefas diferenciadas, na atenção obtida, na conscientização da deficiência. Definindo o elemento gerador do conflito, o professor pode direcionar mais adequadamente sua decisão sobre a permanência ou não daquele aluno naquela série, além de procurar a superação da causa detectada ou não reforçar o comportamento negativo. - demanda da família: cada família tem uma expectativa em relação ao seu filho e à inclusão. Algumas famílias preferem que a criança permaneça mais tempo em uma mesma série para alcançar aprendizagens. Outras valorizam mais o vínculo com os colegas. Outras depositam tamanha confiança e afeto em determinada professora, que preferem que o filho permaneça com ela por mais um ano. A família deve ser ouvida e seus anseios analisados como mais uma variável desta equação. -
conceitos básicos: e o que fazer quando aquisições
consideradas tão fundamentais quanto a alfabetização
e conceitos lógico-matemáticos tais como noções
de quantidades e operações básicas não tiverem
acontecido ainda? No que se refere à alfabetização,
devem se buscar alternativas da escrita e leitura, adaptando-se as formas
de registrar conteúdos, de expressão gráfica através
de desenhos ou colagens, da aceitação das respostas orais
enquanto a palavra escrita ainda não estiver disponível.
Alfabetização é importante, mas não é
tudo. Há outros canais para aprender e para demonstrar o que foi
aprendido. O percurso da aprendizagem de crianças com SD é
longo e sem limites além daqueles estabelecidos pelos adultos.
A grande maioria das pessoas com SD aprende a ler e escrever em diferentes
fases, alguns bem pequenos, outros mais próximos da adolescência.
Portanto, não podemos desistir por achar que a alfabetização
não ocorrerá, mas também não devemos reter
o aluno indefinidamente numa série esperando que esta alfabetização
aconteça. - aspecto legal: toda criança tem direito de acesso, direito de permanência e direito de progresso dentro da escola. Não há como reter um aluno indefinidamente em uma série. - auto-determinação: "nada por nós, sem nós". A criança pode ter sua aprendizagem como um projeto de vida seu, e não apenas de seus pais e professores. Ela precisa ser ouvida, estimulada para investir em si mesma, para adquirir habilidades e fazer escolhas. Se a criança não parece ter entendido a importância da aprendizagem em seu desenvolvimento, ela tem uma lacuna de base a ser preenchida. -
o efeito emocional: reter uma criança que está
em movimento, que está se desenvolvendo (mesmo que pouco), que
está se esforçando dentro de seus limites, integrada e dedicada,
pode funcionar como um freio, trazendo uma mensagem de que não
vai dar conta, de que não é suficiente. O resultado é
a desmotivação, pois a criança percebe que seu empenho
não é valorizado. |