apoio.
[Dev. de apoiar] S. m. 1. O que serve para suster, firmar.
2. Amparo, proteção, suporte. 3.
Aprovação, aplauso.
O ser humano é um ser essencialmente social que busca viver em
grupos. Sendo assim, podemos entender que esta busca se dá, entre
outros motivos, pela necessidade de estabelecer condutas de apoio e cumplicidade.
Isto se repete de diferentes maneiras nas situações que
vivemos, enfrentamos e construímos. Na escola não é
diferente - o apoio é necessário e, algumas vezes, condição
para aprender. Porém, apoio não é substituição,
compensação ou simples eliminação de obstáculos.
Também não pode ser entendido como mera facilitação
para se chegar a um determinado fim. Apoio é algo essencial para,
diante de dificuldades, se encontrar o melhor caminho a percorrer. Apoiar
é dar condições, é fazer pontes, é
prover recursos, é estimular, não deixar desistir, sempre
com o cuidado de não interferir no desenvolvimento da autonomia.
Cada pessoa
ou escola tem suas particularidades, portanto vai necessitar ou utilizar
o recurso do apoio ou acompanhamento de diferentes maneiras e em diferentes
momentos.
Inclusão
escolar é o respeito à diversidade de cada aluno visto a
partir de seu potencial próprio de aprendizagem. A escola inclusiva
é aquela que busca um novo modo de ensinar a todas as crianças,
adequando-se ao estilo de cada uma, desviando-se da tendência à
homogeneização. Inclusão é processo, é
construção, é transformação em curso,
com direito a revisões de percurso. Não estamos falando
aqui em experiências, tentativas imprudentes e resultados hipotéticos.
Falamos de escolas que querem acertar, e sabem que seu dever é
oferecer o que for preciso para o aprendizado e inclusão de seus
alunos. Estas escolas logo descobrem carência de apoios e a
ausência de fórmulas, e procuram formas de ensinar
que sejam compatíveis com sua estrutura acadêmica, com sua
metodologia, com o material físico e humano disponíveis.
A
diversidade, tão valorizada no olhar que damos aos alunos, também
está presente na escola e professores que os recebem. Diferentes
contextos culturais, diferentes métodos, condições
financeiras ou filosóficas, diferentes seres humanos que representam
cada professor, diversos em sua formação, sua história
e seus princípios e, finalmente, diferentes fases e especificidades
encontradas no processo de aprendizagem e construção emocional
de cada aluno, vão definir a realidade do ambiente escolar da criança.
Para
ensinar a todos, a postura do olhar altamente individualizado para o aluno
- não apenas o que tem SD ou outra NEE - é fundamental.
A reorganização do modo de ensinar, as expectativas de aprendizagem
e as adequações serão também altamente personalizadas,
visando alcançar o aluno através de suas competências,
seus canais de acesso. E estas competências e predisposições
podem variar tanto de aluno para aluno... Como então regrar a inclusão?
Como estabelecer o que é aceitável e o que não é?
Queremos
abordar no presente texto uma das formas de praticar e efetivar a inclusão:
o acompanhamento do aluno na escola e os apoios que ele pode precisar,
em um outro momento, para aprender. É assunto sem unanimidade,
levanta polêmicas e discussões. Pode ocorrer de diversas
formas: em tempo integral ou em determinados momentos mais formais, em
apenas algumas matérias ou em todas as consideradas acadêmicas,
dentro da sala ou em espaço reservado, no turno ou no contra-turno,
com assistente/tutor pessoal ou de toda a sala. Pode ser necessário
e não oferecido, pode ser imposto e cobrado. E pode ser bom, adequado
e produtivo, assim como pode ser desmotivante e promotor de relações
de dependência. Mais uma vez, precisamos do olhar que respeita a
diversidade e procurar entender cada modo de acompanhar, para então
questionar, negar ou aceitar. A intenção não é
determinar se apoio, reforço ou tutoria são necessários
para a aprendizagem de crianças com SD (pois acabamos de demonstrar
a grande variedade de aspectos que devem ser considerados para chegar
a tal conclusão), mas sim a de levantar possibilidades e analisar
alternativas.
Considerando
a diversidade existente dentro da própria SD, não há
como determinar o que é mais adequado para um ou outro aluno. A
inclusão de uma criança no ensino regular não permite
ousar qualquer tipo de generalização. O apoio é tão
variável e sem regras quanto a inclusão - não existe
fórmula, apenas a vontade de fazer acontecer e o acreditar que
é possível, pontos essenciais para conhecer o aluno a partir
das suas possibilidades. Todo apoio ou acompanhamento é válido
desde que atenda as necessidades da criança, da família
e da escola e, principalmente, desde que envolva o aluno em um processo
lado a lado, e não de cima para baixo. As estratégias utilizadas
como apoio em sala, como por exemplo, o uso de gravuras, vídeos
e experiências práticas para favorecer a aprendizagem do
aluno que tenha dificuldades em assimilar informações apenas
pelo canal da audição, podem enriquecer e consolidar o aprendizado
de todos os alunos da turma. Ou seja, quando falamos de apoios, vemos
uma pedagogia que pode ampliar seu alcance ao pensar em caminhos e estratégias
para facilitar o acesso à aprendizagem do aluno com alguma dificuldade,
incrementando assim a acessibilidade aos conteúdos da classe como
um todo.
Rodriguez
(2007, pg. 02) analisou detalhadamente o assunto, no artigo "Integración
educativa en el aula ordinária com apoyos de los alumnos com síndrome
de Down: sugerencias prácticas", que adaptamos aqui:
As
possibilidades de apoio ao aluno com SD são numerosas. O apoio
pode ser prestado pelo professor, por professores especiais, outros professores
da escola ou pelos colegas, pelos pais da criança ou terapeutas.
Pode ser realizado antes, durante ou depois da aula, dentro ou fora da
classe, de forma individual ou em pequenos grupos. A flexibilidade estará
assegurada tendo diante de nós modelos tão variados de apoio.
Se a eles somamos uma adequação curricular que respeite
as especificidades do aluno, as probabilidades de êxito aumentam
significativamente.
Rodriguez afirma que a inclusão de alunos com SD no ensino regular
é a forma mais apropriada para sua escolarização,
desde que se tomem as medidas organizativas e metodológicas adequadas
para atender às necessidades que podem se apresentar.
A questão então é como realizar este processo de
inclusão para que seja o mais proveitoso possível para o
aluno com SD.
Parte destes alunos se beneficiaria com apoios individualizados para seguir
os conteúdos curriculares da classe, alcançando os objetivos
educativos que tenham sido previstos para ele. Algumas questões
a serem analisadas:
-
Quem proporciona os apoios?
Quando falamos de um apoio que consiste na ajuda individual do aluno para
que acompanhe aprendizagens próximas às da turma, a pessoa
mais adequada é a professora regente. É ela quem passa mais
tempo com ele e que tem claros os objetivos que quer alcançar com
os demais alunos, portanto a mais capacitada para adaptá-los à
criança com SD.
Porém, professores podem declarar que não têm tempo,
nem conhecimentos específicos para atender necessidades educativas
especiais. Assim os apoios podem ser proporcionados por profissionais
como professores especiais, pedagogos, fonoaudiólogo ou por outros
professores da escola que tenham disponibilidade de tempo para reforçar
determinados aspectos curriculares.
Outra estratégia de apoio é a utilização de
colegas da criança, que teriam a função de ajudar
no que possam. Outra forma ainda é o reforço realizado fora
da escola para trabalhar os conteúdos escolares, feito pelos pais,
por profissionais ou instituições especializadas, fonoaudiólogo,
psicólogo, psicopedagogo, procurando auxiliar a criança
enquanto sua inclusão ainda não está consolidada,
desenvolvendo habilidades complementares que nem sempre a escola consegue
dar: autonomia, habilidades sociais, cálculo, psicomotricidade,
leitura e escrita, manejo do dinheiro, etc.
-
Quando se deve apoiar?
Os conteúdos escolares de reforço para crianças com
SD podem ser trabalhados antes, durante e depois da aula. Uma vez determinados
os objetivos para o aluno, se faz uma sequenciação, distribuindo
os conteúdos por sessões. Cada sessão de aula tem,
portanto, um plano de trabalho claro e conteúdos definidos, que
podem ser explicados à criança antes da aula, de modo que
chegue à classe com as noções básicas do que
vai ser visto. Pode receber reforço depois da explicação
ao grupo, depois da aula, de maneira que em outro horário reveja
os aspectos que não entendeu ou que não teve tempo suficiente
para assimilar. E pode também receber reforço durante a
aula, como a ajuda de um outro professor, de um colega ou do próprio
professor regente, logo após a explanação para toda
a turma.
Qualquer destas táticas de intervenção permitirá
à criança com SD seguir os conteúdos da aula com
maior facilidade. Mais ainda, se pode empregar a estratégia combinada
- na Espanha chamada de "cabeço e rabo" - que proporciona
apoios antes e depois da aula, preparando o aluno previamente e reforçando
posteriormente o trabalho feito na classe.
-
Onde se faz este apoio?
Uma possibilidade é que o apoio aconteça fora da sala regular,
em uma sala separada, de forma individual ou em pequenos grupos. Esta
opção tem o inconveniente de que o aluno com SD perderá
experiências educativas com seus companheiros. Mas tem a vantagem
de trabalhar individualmente alguns conteúdos adaptados ao aluno,
que às vezes podem ser bastante diferentes aos dos colegas, além
de possibilitar o trabalho dirigido a questões específicas
que podem estar comprometendo a aprendizagem globalmente: programas de
reforço da atenção, memória, autonomia, linguagem,
etc. Sem dúvida, o aluno também poderá receber o
apoio dentro da sala regular. O trabalho simultâneo de dois professores
dentro da classe é uma modalidade de apoio que pode beneficiar
a todos os alunos e requer um trabalho conjunto sistematizado e bem coordenado
dos educadores, que deverão programar juntos os objetivos e atividades
utilizadas na sala de aula.
A
missão fundamental do professor de apoio não pode se reduzir
a fazer tarefas com o aluno para que possa seguir o ritmo dos demais,
nem a corrigir suas condutas inadequadas para que o professor regente
possa dar sua aula com tranqüilidade. É importante que seus
objetivos incluam um investimento no trabalho autônomo da criança,
sua participação ativa na classe, a realização
de atividades ao mesmo tempo com os colegas e a melhora de sua atenção.
O objetivo maior do professor de apoio é o de vir a ser desnecessário,
com o aluno que seja suficientemente autônomo para estar na aula
de forma participativa, ativa e produtiva.
-
Quais conteúdos vão ser reforçados ou apoiados?
A avaliação criteriosa do aluno e a elaboração
das adequações curriculares individuais definirão
os seus objetivos e conteúdos. A partir disto, se definirão
os conteúdos que requerem um trabalho de apoio ou reforço.
É provável que à medida que avança no Ensino
Fundamental, o aluno vá necessitando de apoios ou adaptações
mais significativas. Mas não há como generalizar. Cada aluno,
cada matéria, deverão ser objetos de análise e adequações
específicas e personalizadas.
-
Como fazer?
Para que um aluno com SD (ou outras necessidades educativas especiais)
possa aprender e estar realmente incluído na escola regular, o
professor, além dos apoios propriamente ditos, pode tomar outras
medidas complementares para aumentar a participação deste
estudante. São medidas que não vão exigir um esforço
excessivo do professor, vão auxiliar o aluno com SD e poderão
produzir melhoras na aprendizagem de todos os alunos da classe.
Medidas
relacionadas aos colegas:
- os colegas podem receber uma breve explicação sobre a
Síndrome de Down.
- deve-se levar em conta que a forma como os colegas vão interagir
com o aluno com SD terá como modelo a interação da
professora com este aluno.
- é interessante criar a figura do aluno tutor ou de acolhida,
válido para qualquer aluno novo que se incorpore à sala,
que o acompanhará e ajudará nos primeiros dias.
- realizar atividades com diversos tipos de agrupamentos, pares, pequenos
ou grandes grupos, para oportunizar a socialização.
Medidas para a classe:
- estruturar as aulas para todos os alunos, dando uma idéia
geral do conteúdo e objetivos no início, resumindo os pontos-chave
à medida que a aula vai avançando e realizando uma revisão
e resumo ao final.
- estratégias de organização da informação.
Confeccionar antes de cada tema um mapa conceitual, um quadro resumido
ou em esquema prévio, que englobe as principais idéias da
aula, para que todos os alunos conheçam antecipadamente o que vão
trabalhar nas próximas horas ou dias e elaborar um resumo final
ao concluir o tema.
- ressaltar as idéias fundamentais de cada aula, seja sublinhando
ou destacando partes de textos, ou a partir de dicas ou resumos. Desta
forma, o professor ajuda os alunos a realizar tarefas de síntese,
destacando o essencial.
- organizar as aulas programando momentos para realizar supervisões
individuais dos alunos ou ajudas relativas a aspectos concretos em que
possam ter dificuldades. Cinco minutos após uma explicação
ao grupo para que o professor se aproxime do aluno com SD e comprove que
entendeu, podem ser suficientes.
- animar os colegas para que apóiem o amigo com SD e o ajudem em
suas tarefas. A tradicional regra escolar que afirma que "Não
se pode colar" pode ser desconsiderada aqui, pois se o objetivo final
é a aprendizagem de todos os alunos, em muitas ocasiões
uma breve explicação ou modelo de um companheiro é
mais efetivo que todos os esforços do professor.
- ter previstos momentos de descanso na aprendizagem intercalando atividades.
Encurtar os tempos de trabalho. Dois períodos curtos de atividades
podem ser mais produtivos do que um período longo e cansativo.
- confeccionar um banco de materiais na sala, com atividades para cada
unidade didática com diferentes níveis de dificuldade para
os diferentes alunos, de reforço para os que necessitam consolidar
as aprendizagens e de ampliação do conhecimento adquirido
para os mais ágeis em aprender. Por exemplo, podem existir textos
longos e textos curtos para cada tema.
- planejar atividades variadas para um mesmo objetivo, utilizando materiais
ou estratégias diversos, para que sejam acessíveis aos que
aprendem de formas diferentes.
- realizar uma distribuição flexível de espaços
e tempos. Por exemplo, distribuir a turma em zonas de atividade ou tarefas
e com horários em função do ritmo do trabalho dos
alunos.
- limitar as exposições orais, complementando-as sempre
que possível com outras formas de atividades, mais práticas
e funcionais, que impliquem numa maior participação do aluno.
- revisar com freqüência o que foi trabalhado anteriormente,
para verificar que as capacidades adquiridas não tenham sido esquecidas
e que se está produzindo uma verdadeira consolidação
da aprendizagem.
Medidas
dirigidas ao aluno com SD:
- utilizar os pontos fortes para melhorar sua aprendizagem. Empregar o
ensino baseado em imagens e objetos, com apoio visual para facilitar a
memorização e a aplicação prática em
situações reais. Por exemplo, painel com os horários
de atividades, para que saiba sua rotina. Estratégias que auxiliam
sua postura de estudante e comportamento adequado: cartazes espalhados
pela escola com orientações, as regras, os horários,
etc. Cartazes com assuntos trabalhados, temas atuais.
- a aprendizagem por meio de modelos ou por observação pode
ser mais destacada nas crianças com SD. Permitir que o aluno tome
seus colegas como referências antes ou durante a atividade.
- levar em conta também seus pontos fracos, por exemplo, limitando
as exposições verbais em sala, reduzindo as exigências
de expressão oral ou adaptando as explicações e tarefas
à sua capacidade de atenção.
- se o aluno com SD tem dificuldades em captar informações
por via auditiva:
falar com a criança
comprovando que esteja atento, olhando no rosto e transmitindo-lhe mensagens
diretas, curtas, concisas e sem duplo sentido.
sentar-se nas carteiras da frente.
reforçar
as exposições, instruções e ordens orais com
expressões faciais, sinais ou gestos.
escrever as palavras-chave
e o vocabulário novo na lousa.
conceder tempo
suficiente à criança para que processe a informação
e possa responder, respeitando a lentidão de sua resposta.
Segundo
Sandy Alton, da Down´s Syndrome Association, algumas crianças
com síndrome de Down precisam de apoio adicional. Este material
apresenta alguns aspectos que são esperados do profissional
de apoio, no que diz respeito à criança:
Aumentar o acesso
ao currículo e ao desenvolvimento do aprendizado.
Garantir que
a criança aprenda novas habilidades.
Ajudar a desenvolver
a independência.
Ajudar a desenvolver
habilidades sociais, amizades e comportamento apropriado para a idade.
No
que diz respeito ao professor de apoio:
Ajudar a modificar
ou adaptar as tarefas planejadas pelo professor.
Dar informações
mais detalhadas sobre o desempenho do aluno ao professor.
Dar oportunidade
ao professor de trabalhar individualmente com uma criança com síndrome
de Down ou em grupo enquanto assume o lugar do professor.
Para
esta autora, é muito importante que o professor de apoio seja visto
como pertencendo a toda classe, dando ajuda a todas as crianças
que necessitarem, e não como propriedade da criança com
SD. Desta maneira, outras crianças da classe se beneficiam com
o apoio extra. O professor da turma é o responsável pela
diferenciação das atividades, e o professor de apoio poderá
adaptar atividades se e quando necessário. O professor-regente
nunca deve abdicar de sua responsabilidade pelo aluno com SD.
Além disso, o apoio não deve consistir apenas e nem principalmente
na professora ajudante trabalhando individualmente com a criança,
especialmente quando isso requer saídas da classe, o que deve ser
evitado ao máximo. Embora vá haver vezes em que algum trabalho
individual seja requerido, isso só deve ser feito em último
caso e dentro da sala de aula, sempre que possível.
É
importante estar ciente de que ajuda individual demais pode privar a criança
de:
ser beneficiada
da estimulação e modelos proporcionados pelos colegas.
aprender a trabalhar
cooperativamente.
aprender a trabalhar
independentemente.
desenvolver relações
sociais com seus colegas.
O excesso de ajuda individual também pode levar a uma familiaridade
grande demais e à dependência da criança ao profissional
de apoio, além de ser uma relação intensa demais
tanto para a criança quanto para o ajudante.
Para
Reuven Feurstein, é grande a importância da experiência
da aprendizagem mediada no processo da educação inclusiva.
A Experiência da Aprendizagem Mediada é uma interação
na qual o mediador (pai, mãe, professor) se situa entre o indivíduo
mediado (filho ou aluno) e os estímulos (os objetos, problemas)
de forma a selecioná-los, ampliá-los ou interpretá-los
utilizando estratégias para produzir significações
além das necessidades imediatas da situação. O mediador
seleciona, filtra, organiza, nomeia e dá significado aos objetos,
envolvendo e motivando o aluno no processo de aquisição
de conhecimento e desenvolvimento de suas funções cognitivas.
O
professor mediador valoriza a aprendizagem como esforço, e não
como resultado. Envolve os colegas, outros professores, os pais de seu
aluno, demonstrando que podemos ensinar dando ferramentas para que todos
os alunos desenvolvam o hábito de pensar, refletir sobre as situações,
fazer escolhas e determinar estratégias para solucionar problemas,
e que possam participar das decisões, sem ser apenas o objeto delas.
A visão cooperativa da aprendizagem escolar é instrumento
de grande valor, quando se usam recursos e estratégias que envolvem
todos os alunos, dando ao que tem necessidades especiais um papel que
respeite suas habilidades. Habilidades essas que devem ser descobertas,
desenvolvidas e utilizadas na valorização deste aluno perante
a turma, promovendo sempre sua auto-estima, porém sem descuidar
das regras gerais e bom comportamento. Mediar a aprendizagem de um aluno
é envolvê-lo efetivamente no processo, dar a ele a devida
importância como protagonista de sua aprendizagem, e não
apenas depositário de informações.
Para alguns alunos, em algumas matérias, em diferentes períodos
escolares, o professor-regente pode desempenhar sozinho o papel desse
mediador. Em outros, o apoio de outro professor pode ser necessário.
Exigências adequadas são apoios importantes que o professor
pode dar para seu aluno - atividades e atitudes que estejam dentro de
seu campo de possibilidades. O que é muito pernicioso na inclusão
é quando a criança percebe que se pede para ela coisas que
não consegue realizar, ou não se cumprem combinados que
existem para seus colegas como avisos quando não faz a lição
de casa, avaliações muito fáceis ou inexistentes,
tarefas em sala totalmente diferentes em conteúdo e dificuldade
das dos outros alunos. Apoiar também significa ter expectativas
positivas a respeito de seu aluno com SD, e exigências coerentes
com o que se espera de todos os alunos. Peça ao seu aluno aquilo
que ele pode fazer. E cumpra o que promete, sejam prêmios ou punições.
''Pensar
antes'' é de profunda importância para trabalhar com seus
alunos, e é também uma maneira necessária e eficiente
de apoiar verdadeiramente: aulas estruturadas previamente, em que a professora
tenha tido o exercício anterior de se organizar para atingir cada
aluno, podem ser o antídoto para o tão comentado "despreparo".
Concluindo,
apoiar é feito de gente, de estratégias, de recursos, de
materiais, de flexibilidade e até de percepções mais
subjetivas. O bom-senso às vezes pode ser o canal mais criativo
- vai permitir ao professor reconhecer e respeitar o que seu aluno está
precisando para aprender melhor naquele preciso momento: ilustrações
sobre o que está sendo dito, ou sentar-se mais perto do professor
ou do amigo, ou de um auxiliar que lhe aproxime do conteúdo, ou...
O importante é olhar e querer ver. É acreditar e
querer fazer. Esse é o apoio mais importante de todos.
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