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| Quando falamos da relação escola-terapeutas, devemos ter em mente que o personagem principal deste processo é uma criança que é, ao mesmo tempo, aluno e paciente e da qual se esperam aprendizagem e reabilitação. São dois processos interligados: aprendemos enquanto nos reabilitamos, nos reabilitamos enquanto aprendemos. Professores, terapeutas, família e crianças, personagens deste cenário de crescimento, devem funcionar em sintonia, para que o avanço de um seja o impulso do outro. As crianças com Síndrome de Down fazem vários acompanhamentos terapêuticos - fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, psicomotricidade, psicopedagogia, etc. - por apresentarem alguma dificuldade, limitação, atraso ou falha em alguma área de seu desenvolvimento e necessitarem de apoio para reabilitar-se. Escola e terapeuta devem formar uma parceria equilibrada, de trocas constantes e retro alimentadoras, para que um resultado positivo aconteça diante de tantas demandas. Cada profissional pode contribuir com sugestões sobre desenvolvimento da linguagem, do comportamento social e dos aspectos cognitivos de seu paciente, o que certamente favorecerá o crescimento do aluno. A escola tem um papel determinante na detecção de eventuais dificuldades, já que a visão privilegiada do indivíduo no grupo permite uma análise de contrastes e igualdades, e seus encaminhamentos. Também pode contribuir com o processo terapêutico, quando realmente aceita as dificuldades deste aluno como algo natural, que faz parte da diversidade, favorecendo assim sua auto-estima e conseqüentemente a evolução e progressos nas terapias e na aprendizagem. Tentar conhecer qual é a visão clínica que o terapeuta tem de seu aluno, pode levar a escola a entender melhor as dinâmicas que a criança está vivendo. Isto pode esclarecer dúvidas com relação ao desempenho e ao tempo diferenciado no processo de aprendizagem deste aluno, favorecendo a diminuição da angustia, ansiedade e insegurança das pessoas envolvidas, professora, profissionais da reabilitação e família. Assim, a escola pode atuar respeitando o percurso e as limitações de cada aluno, evitando expor a criança a situações para as quais está sendo trabalhada. A criança que apresenta alguma dificuldade, poderá não aproveitar todas as oportunidades de aprendizagem oferecidas no ambiente escolar e é nesse momento que o trabalho conjunto de terapeuta e escola tem grande relevância, pois o terapeuta atuará na reabilitação das desvantagens da criança e a professora com atividades facilitadoras, até que haja um equilíbrio entre desempenho e demanda escolar. O profissional pode orientar a professora sobre como participar do processo de reabilitação e sobre idéias de adaptações de conteúdos ou estratégias. A escola tem grande importância na sedimentação das aquisições e automatização das habilidades e comportamentos no contexto que transcende o ambiente terapêutico. À medida que os progressos da reabilitação vão surgindo, a escola vai sendo atualizada pelo terapeuta sobre como agir, como propiciar situações de funcionalidade para as capacidades recém-adquiridas ou corrigidas. O espaço escolar funcionará como o "mundo real" da criança, onde se aplicarão as aprendizagens sem o clima protecionista do lar, nem a atenção exclusiva da sala de terapia. Em contrapartida, muitas vezes os conteúdos curriculares podem ser importantes subsídios nos planos terapêuticos, quando se criam estratégias de reabilitação reforçando a aprendizagem acadêmica. Melhor resultado ainda se obteria ao envolver também a família neste contexto escola-terapias. Quando todos estão informados sobre os conteúdos ensinados na escola, pode se constituir uma rede de estímulos e fixação daquilo que for sendo trabalhado. Quando falamos em inclusão, tudo aquilo que foi descrito acima, assume proporções de maior importância, uma vez que inclusão implica em romper barreiras do isolamento profissional. A inclusão é será mais eficaz pelo ensinamento em grupo, a colaboração e consulta de toda a equipe envolvida com a criança. Por outro lado, a escola pode ser desfavorável ao processo terapêutico quando é radical em suas propostas e filosofia, e não questiona a possibilidade de alguns ajustes que poderiam beneficiar a criança em questão, ou quando diferencia, estigmatiza, exclui ou não aceita as diferenças de cada um. Para que isso não ocorra, a escola deve abrir as portas para o acesso dos profissionais que atuam com a criança, facilitar reuniões e observações em sala de aula. O terapeuta, por sua vez, deve se deslocar e/ou entrar em contato com a escola com freqüência e sempre que necessário. Ele não pode ser visto nem como o intruso que pretende interferir no processo acadêmico, nem como o único responsável pela solução das dificuldades da criança. Desta forma, a evolução do aluno será o resultado da soma dos esforços da família, da escola e dos terapeutas. |