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Uma criança com necessidades especiais, como qualquer outra, deve
ser protagonista de sua própria história.
Como pais e profissionais, devemos evitar superprotegê-la, poupá-la,
subestimá-la. A criança com Síndrome de Down deve
ser vista essencialmente como CRIANÇA, e portanto, como PESSOA.
Desde o início, deverá ser consciente de que tem limitações,
dificuldades, diferenças, como, na verdade, todos temos. E, ao
mesmo tempo, ser levada a ver tudo o que tem de bom, seus talentos e habilidades.
Deverá saber que é uma pessoa que tem direitos a serem respeitados,
tais como: ser aceita, estudar em escola regular, receber amor e educação.
Mas, que não poderá ser poupada de possuir deveres, responsabilidades,
tarefas que realizará dentro de suas possibilidades, e que competirão
exclusivamente a ela.
É importante saber comportar-se em sociedade. Distinguir o certo
e o errado, cumprimentar as pessoas, agradecer, pedir licença,
são aspectos importantes a serem estimulados, principalmente para
nossas crianças, para que sua aceitação seja total
e irrestrita.
Fazer pela criança pode parecer ajuda e demonstração
de carinho, mas é também um modo de atrasar o percurso que
leva à autonomia. Deixar que realize pequenas tarefas, pode levar
mais tempo e ter resultados não tão perfeitos, mas é
através da experiência que aprendemos. É percebendo
que sapatos trocados incomodam, que a criança verá a necessidade
de calçá-los corretamente na próxima vez.
A criança com Síndrome de Down geralmente tem uma agenda
lotada de compromissos educativos e terapêuticos. Poder dispor do
próprio tempo e desenvolver atividades que proporcionem prazer
e respeitem suas habilidades (nem toda criança se identifica com
a água; o ballet que encantou uma, pode não ser prazeroso
para a outra) é importante para que ela não se sinta sobrecarregada
e desrespeitada em suas preferências.
Resolver o que ela vai vestir, o que vai comer, que filme vai assistir...
Geralmente impomos à criança aquilo que achamos melhor para
ela. Se lhe dermos a possibilidade de escolha (queijo ou geléia,
bermuda ou calça, Peter Pan ou Mogli), estaremos fazendo com que
analise, compare e decida, raciocine ao invés de receber tudo pronto.
E, acima de tudo, estaremos dando a ela o direito de ter gostos e preferências,
bem como construindo um indivíduo que saberá aceitar ou
não o que lhe for oferecido, que saberá que tem a possibilidade
de decidir o que é melhor para si mesmo.
Josiane Mayr Bibas |