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Josiane Mayr Bibas |
Os pais, após o primeiro choque diante da nova realidade de ter um filho diferente daquele que esperavam, acabavam achando quase natural que as dificuldades a enfrentar fossem enormes e as expectativas tão pequenas. Alguns simplesmente se resignavam; outros se preocupavam em estimular, em minimizar aquela que parecia ser a maior deficiência, o maior prejuízo: o aspecto mental. Porém, ao supervalorizar o desenvolvimento cognitivo de seus filhos, os pais muitas vezes acabavam não tendo atitudes coerentes em casa: superprotegiam, poupavam, faziam por, proporcionavam escolas especiais onde não havia o convívio com crianças sem (ou com outras) dificuldades, e atendimentos terapêuticos individuais, sem possibilidades de trocas sociais. Ou seja, havia o investimento no aspecto cognitivo e de aprendizagem, sem a mesma atenção ao crescimento emocional, social e de autonomia de seus filhos com SD. O resultado era um adolescente e sua família despreparados para lidar com as naturais transformações físicas e emocionais, idéias, desejos e exigências sociais relacionadas com esta fase. Este conflito culminava no jovem em casa, retraído e solitário, sem amigos, sem habilidades, sem autonomia para viver uma vida própria. A superproteção por parte de pais e professores faz com que se concentre maior atenção nas deficiências da criança; recebendo maior atenção em seus fracassos que em seus sucessos, o jovem fica limitado nas possibilidades que promovem a independência e interação social. O que vemos hoje é um panorama que começa a se modificar. Quando o diagnóstico é dado de forma real e positiva, com o apoio de grupos de pais que ajudam a lidar com as primeiras angústias, com as primeiras orientações, e se planta uma semente otimista na expectativa destas novas famílias: a de que seu filho com SD pode ir muito bem, pode ir muito longe, desde que se acredite nele. Muda-se assim toda a base da educação que essa criança receberá: o que vemos daí para a frente é uma pessoa que terá capacidades e habilidades, apesar de ter algumas limitações, o que levará esta família a uma educação para a autonomia, e não para a acomodação. Some-se
a isto um ambiente mais propício, uma sociedade mais informada,
uma escola mais inclusiva e aberta e um mercado de trabalho mais receptivo,
e teremos uma pessoa com maiores possibilidades e motivações
para se desenvolver sempre mais e, mais importante, com um sentido para
sua estimulação e educação. O que muda é
a perspectiva, a visão do desenvolvimento: a pessoa com SD com
direitos e deveres de cidadão. As
habilidades de autonomia pessoal e social proporcionam melhor qualidade
de vida, pois favorecem a relação, a interação,
satisfação pessoal, auto-estima e atitudes positivas. Josiane Mayr Bibas
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