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às entrevistas
Rodrigo no palco
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Rodrigo Azevedo Rovito. Um belo rapaz de 32 anos, olhos verdes e conversa envolvente. Usa uma barba charmosa, onde despontam reflexos grisalhos, explicando que logo vai raspá-la, pois afinal está ali apenas para compor seus personagens. Então é isso: Rodrigo é ator. E vai estrear em duas peças daqui a poucos dias, coincidentemente no Dia internacional da Síndrome de Down, no já famoso Festival de Teatro de Curitiba
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O orgulho é visível, no olhar dele e da mãe, que entrou na onda e está ensaiando junto com ele e os outros atores do drama “Um Homem chamado Francisco” e da comédia “Olha aqui, Seu Capitão!”, onde faz o simpático marujo Pedrito. Tem várias falas nos dois espetáculos, mas diz estar preparado e tranqüilo.
Esse rapaz que às vezes usa a preguiça como explicação para alguns fatos como a alfabetização não concluída, a pouca perícia na cozinha ou uma preferência bastante clara em assistir a todo e qualquer esporte na TV, mas nenhuma questão em praticá-los, tem uma vida atribulada:
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na escola especial em que estuda, trabalha como auxiliar da coordenadora pedagógica e é responsável por anunciar os ônibus à medida que vão chegando. Bate o cartão-ponto cheio de responsabilidade e auxilia no almoxarifado.
Colabora em casa mantendo seu quarto arrumado e nos serviços gerais nos dias de folga da ajudante. Atualmente, ensaia as peças todos os dias, para a estréia em breve. Além disso, está se preparando também para desfilar e participar do Crystal Special em Outubro. Só isso? Não, tem mais. Também faz aulas de dança de salão duas vezes por semana.
Todas essas atividades combinam com uma tendência da família em achar sempre um bom motivo para festejar. Essa energia festeira encaminhou Rodrigo ao teatro, pois ele mesmo diz que “adora aparecer”. Nada melhor então, do que um palco, onde busca outra de suas motivações: a explosão de aplausos do público. Direito que, acredito, deveria ser o combustível de todo ser humano - o aplauso que valoriza cada conquista e impulsiona para frente.
Logo depois de me dizer que é o primeiro ator com Síndrome de Down do Paraná registrado no DRT (Departamento Regional do Trabalho), aproveito a deixa e pergunto o que ele acha de ter SD. Ele me diz “Todos dizem que sou muito especial. Não sei se é puro boato ou verdade”. É verdade, Rodrigo, é verdade. Suba no palco e brilhe. Você merece cada palma.
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