Seu
filho tem Síndrome de Down!
O que será que o médico quer dizer com isso? É uma
brincadeirinha, não é? Eu não estou vendo nada de
diferente nele!! Mas o que foi que eu fiz de errado? O que houve de errado?
Essas
são algumas das indagações mais comuns feitas pelos
pais quando ouvem o diagnóstico de que seu filho é portador
da Síndrome de Down. É natural que sintam-se confusos e
que precisem de um período de adaptação . Mas atentem:
esse período deve ser breve. O bebê com SD (Síndrome
de Down) precisa de cuidados intensivos e imediatos. Quanto mais cedo
for a intervenção terapêutica na vida dessa criança
especial, mais rapidamente ela irá reagir e obter condições
favoráveis ao seu desenvolvimento pleno.
Como primeiro passo vem a aceitação. Sim, porque não
importa se os pais buscam ajuda profissional para cuidar de sua criança
com SD, se eles mesmos têm algum tipo de rejeição
a essa criança. Inicialmente é preciso desarmar-se. É
preciso olhar para seu filho com ternura, enxergar ali uma possibilidade
imensa de exercitar o seu amor.
Busque o conhecimento. Procure entender o que é a Síndrome
de Down. Suas causas, conseqüências, como interagir. Quando
se conhece bem algo fica muito fácil lidar com isso. Não
pense nas limitações.
Pense na oportunidade que lhe foi dada de crescer junto com seu filho.
Acompanhar seu desenvolvimento, vibrar com suas vitórias. Não
seja exigente, seja persistente! Palavras-chave: paciência e perseverança.
Se a conquista é lenta o gosto da vitória é muito
mais
doce.
Viva um dia de cada vez. Pense num problema de cada vez. Se tentar resolver
todos juntos, vai acabar falhando com alguns e a sensação
de derrota lhe alcançará. Lembre-se: uma coisa de cada vez!!
Você vai ver como tudo se torna mais fácil.
Bom! Agora que você está mais à vontade com seu bebê,
continue sua vida normal. Sim, por quê essa cara de surpresa? Acaso
achou que ocorreriam grandes mudanças no seu cotidiano? Fique tranqüilo!
Você terá que adaptar-se a algumas alterações
na sua rotina, tais como fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional,
e algumas consultas médicas, mas isso será mais fácil
do que você possa imaginar. Você vai perceber que, inconscientemente,
começa a assimilar essas pequenas mudanças. Ah, e nada de
querer tratar seu bebê com SD de forma diferente dos outros filhos
e/ou das outras crianças! É muito importante para o seu
desenvolvimento psico-social que ele sinta-se inserido no meio onde vive,
que não seja estigmatizado como alguém diferente!! Afinal,
todos somos diferentes!! Temos nossos defeitos, nossas esquisitices, nossas
limitações. Pior ainda: a maioria delas encontra-se disfarçada.
Nunca deixe que olhem com piedade para seu filho com SD. E NUNCA, nunca
tenha pena dele! Não é disso que ele precisa, mas de oportunidade.
Oportunidade de aprender, de conviver, de crescer, de interagir. Quantas
vezes você vai precisar repetir algo para que ele aprenda? Não
sei! Que importância isso tem? Existem flores que só nascem
uma vez no ano e duram apenas algumas horas e ainda assim, centenas de
pessoas se aglomeram só para vê-la. Porque ela representa
a beleza da vida. A espera. O surgimento. Depois se vai e recomeça-se
uma nova espera.
Você tem um filho com síndrome de Down! Ame-o. Aconchegue-o
junto ao seu coração e sinta-se amado. Acredite nele. Dê-lhe
oportunidades. Confie. Vibre com suas vitórias. Console-o em suas
derrotas e incentive-o a tentar mais uma vez. Corrija suas falhas. Mas
sobretudo, ame-o. Sempre. Incondicionalmente. É o milagre da vida
que sorri para você. Não perca a oportunidade de sorrir de
volta!!
* Mabel Amorim é mãe de Rafaela, 8a
e Gabriela (SD), 3a
|