O DIREITO DE SENTIR REVOLTA: o fato de ter tido uma criança
com Síndrome de Down (SD) pode parecer injusto: não foi
previsto e não pode ser alterado. Use essa energia para obter os
melhores serviços para seu filho.
O DIREITO DE RECEBER
UM DIAGNÓSTICO CORRETO: o modo como se dá o momento
da notícia pode ser determinante para o desenvolvimento da criança
e expectativas dos pais. Hoje se sabe que a pessoa com SD possui um potencial
a ser desenvolvido, que depende essencialmente da estimulação
precoce, da assistência de profissionais competentes e atualizados
, que detectem e solucionem suas dificuldades.
O DIREITO DE PRESERVAR-SE:
muitas vezes, o nascimento de uma criança com SD introduz no círculo
familiar uma série de profissionais diagnosticando, aconselhando
e em alguns casos, até julgando as ações de membros
da família. Preserve-se.
O DIREITO DE TENTAR TUDO
(E TAMBÉM PARAR COM AS TENTATIVAS): ter a sensação
de estar dando mais oportunidades de desenvolvimento a seu filho é
reconfortante. Mas, ao mesmo tempo, são vocês que podem definir
quando os resultados estão sendo ou não positivos.
O DIREITO DE ESTABELECER
LIMITES: existem limites nos quais uma pessoa pode agir. Vocês
não devem exigir de si mesmos pensar continuamente na criança.
E a criança não deve ser o centro da atenção
de todos. Todos têm limites. Procurem reconhecê-los e definí-los,
antes de entrar em crise.
O DIREITO DE SER PAIS:
os profissionais que trabalham com o bebê com SD orientam a família
sobre atividades para serem realizadas em casa. Não esquecer, porém,
que antes de tudo, vocês são pai e mãe. Não
devem transformar-se em "professores em horário integral".
Vocês e seu filho têm necessidade também de passear,
brincar, ler histórias, rir e até de fazer nada.
O DIREITO DE NÃO
SER SEMPRE ENTUSIASTAS: não se espera de vocês que estejam
sempre animados. Às vezes, podem sentir-se tristes ou preocupados,
por qualquer motivo. Todos tem mudanças de humor, e nem sempre
estamos dispostos e motivados.
O DIREITO DE FICAR BRAVO
COM SEU FILHO: como qualquer criança, a criança com
SD tanto pode divertir e encher de orgulho seus pais, como pode às
vezes comportar-se de modo a irritá-los. Nestes momentos, é
importante colocar limites, que não significam falta de amor, mas
sim, fazem com que a criança sinta-se mais amada e segura.
O DIREITO DE TER UM TEMPO
LIVRE: vocês precisam de tempo para si mesmos, para seu companheiro
e para os outros membros da família. A vida tem muitas facetas,
e cada uma merece atenção.
O DIREITO DE SER O "EXPERT"
PARA SEU FILHO: vocês conhecem sua criança melhor do
que ninguém. Vocês passam mais tempo com ela, sabem do que
gosta, o que funciona e o que não funciona. Profissionais vão
e vêm, e não precisam conviver com as conseqüências
de suas decisões. Vocês, como pais, têm o direito de
decidir como proceder com seu filho do ponto de vista social, educativo
e médico. Os profissionais podem opinar, mas são os pais
que definem o que é melhor para sua criança.
O DIREITO À DIGNIDADE:
todos estes direitos se unificam no direito básico de serem RESPEITADOS
E TRATADOS COMO TODOS OS OUTROS PAIS. Não desejam pena, nem admiração,
mas serem ouvidos e auxiliados de modo correto. Serem tratados como se
seu filho não tivesse SD; e, portanto, com os mesmos direitos de
toda criança: o direito ao diagnóstico correto, ao atendimento
especializado, ao seguro-saúde, à escola regular, ao lugar
no mercado de trabalho.
Pais não devem esquecer que são adultos com suas necessidades,
seus desejos, suas esperanças e seus sonhos. Saibam apreciar sua
individualidade. Saibam apreciar sua convivência com seu filho.
Traduzido do "CORSO PER GENITORI DI BAMBINI DOWN". Trento,
Itália, 1989.
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