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CINTHIA MICHELINI WIPPEL
Cinthia 2010
É muito importante rever coisas na vida. Olhar para trás e observar o que mudou, o que ficou igual, o que melhorou. Se os rumos que tomamos foram os certos, se decisões tomadas tiveram os resultados esperados.
Rever foi o que fiz quando recebi do pai de Cinthia o orgulhoso comunicado sobre suas mais recentes conquistas. Fui lá nos depoimentos do site da Reviver e reli o que seus pais tinham escrito sobre sua menina com SD há quase 15 anos. O susto no nascimento, as incertezas, as primeiras escolhas.
No texto observo que Cinthia, aos 4 anos, estava iniciando sua vida de nadadora. Ainda como um esporte sem grandes expectativas, com o objetivo mais dirigido para desenvolver a coordenação motora, a capacidade respiratória, a imunidade (dura prova para o frio curitibano)...
Começou fazendo por fazer e se tornou uma campeã. Participa das mais diversas competições pelo sul do Brasil, contando sempre com seu pai companheiro de viagens e a mãe que torce apaixonadamente. É a feliz proprietária de 33 medalhas de ouro e 2 de prata. No calendário da Reviver/2010, a figura de Cinthia estampa o mês de Junho, em uma postura que mostra sua disciplina e determinação.
Certamente, os pais de Cinthia fizeram muitas escolhas acertadas. Mas, sem dúvida, o empenho dela em se superar tem sido fundamental!

No dia 6 de novembro de 1992, nascia nossa filha Cinthia. Foi uma gravidez
não programada e bastante tumultuada, pois passei muito mal durante
todo o período de gestação. A notícia veio
como uma bomba poderosa explodindo sobre nossas cabeças: "Cinthia
com Síndrome de Down." Parecia que a vida tinha nos dado uma
enorme rasteira, tirado o tapete debaixo de nossos pés, e sem assimilar
bem o que estava acontecendo, achávamos que o mundo tinha acabado,
e que viveríamos até o fim de nossas vidas com um peso e
uma criança sem futuro. Choramos muito e perguntamos muitas vezes
"por quê"? Somado a isto, todas as preocupações
com os problemas de saúde a que normalmente são acometidas
as crianças com Síndrome de Down. Cardíacos, infecções
respiratórias, pulmonares, etc...(hoje percebemos que tantas preocupações
são desnecessárias.)
Passado este primeiro momento, arregaçamos as mangas e fomos à
luta. Cinthia começou a fazer fisioterapia e fonoaudiologia aos
15 dias de vida. Com 4 meses, iniciou o método do Dr. Véras,
com o qual foi trabalhada durante 2 anos ininterruptamente, de domingo
a domingo. Aí a família "pirou" e este método
foi abandonado, dando oportunidades para outras estimulações
mais amenas e menos desgastantes para todos nós.
Hoje Cinthia tem 4 anos e é uma criança que consegue nos
surpreender todos os dias. Tem muita facilidade de relacionamento, pois
procura as pessoas para conversar e brincar... Freqüenta o Colégio
Integral e está no jardim II. Tem muitos amigos lá e gosta
de ir à aula, pois mesmo nos finais de semana menciona os amiguinhos
e a professora. Sua fala ainda não é de fácil compreensão,
mas consegue se comunicar, pois entende tudo que lhe é dito.
Atualmente está fazendo fonoaudiologia e natação
e se tudo der certo, irá freqüentar o balett. A Cinthia só
quer comer de garfo e faca, gosta de escolher a roupa que vai vestir e
às vezes se troca sozinha. Participa de todos os ambientes sociais
e não temos qualquer problema em levá-la a restaurantes,
festas e até barzinhos, pois seu comportamento é muito bom.
Ela mesma é que pede ao garçom o que quer beber e comer
(coca-cola, batata frita e carninha), Outro fato que também tem
nos deixado felizes é que apesar de algumas raras demonstrações
de discriminação, a Cinthia consegue a simpatia de todas
as pessoas que por alguns momentos convivem com ela, até mesmo
aquelas com quem cruzamos ocasionalmente nos ambientes que freqüentamos
ou na rua. Por tudo isso, percebemos que ela é uma criança
totalmente feliz pois recebe muito amor de toda a família e nos
retribui com lições de vida que somente crianças
como ela sabem dar.
Obrigado , Cinthia, por você existir.
Aloisio,
Maria Luiza e Daniel.
Publicado no Informativo no 7 da Reviver (1997)
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